28 de dezembro de 2010

Meu conto - Filhos da Escuridão ♥

Posted by Mandy Porto às 9:57 PM
Olá pessoas! Ano novo chegando e todo mundo se preparando para o grande dia né?! Antes de tudo quero desejar a todos um Feliz Ano Novo. Estou aqui hoje para mostrar para vocês um pequeno conto que escrevi esse ano para o livro Zumbis - Quem disse que eles estão mortos?. Quem me conhece sabe que eu adoro tudo que envolva zumbis, então quando vi que o organizador Ademir Pascale estava aceitando inscrições eu decidi tentar. Meu primeiro livro Diário de um Anjo nem tinha lançado ainda, esse livro aí foi a primeira vez que algo meu foi lançado em papel para todos lerem. Fiquei feliz da vida quando soube que meu conto tinha sido um dos selecionados e que ia ter ele no livro. Para quem não teve a chance de ler e para quem gosta de zumbis, estou pondo ele aqui neste post especial. Como ele é um conto de um assunto forte eu não poupei violência e nem nomes feios. Meu conto está registrado direitinho, então não corro nenhum risco. Então aproveitem...
ZUMBIS
Filhos da escuridão
 Mandy Porto
O sangue escorria em minha perna que mancava, Jake se agarrava na alta cerca que seria a nossa salvação. Apesar de minha dor insuportável eu me agarrei naquela cerca como se dependesse minha vida. Zumbis corriam como cães esfomeados, Charlie escorregou na poça de sangue de Samantha, e foi desmembrado ligeiramente pelos zumbis. Eu queria voltar, mas era tarde demais para meus amigos que presenciavam uma morte lenta e extremamente dolorosa.
Eu e Jake paramos abruptamente quando ouvimos um tiro próximo de nós. Quando viramos para olhar a situação, Drake estava estirado no chão com um buraco em sua cabeça, e Tom ainda permanecia no lugar de origem de seu tiro. Fiquei horrorizada e não soube o que fazer. Olhei para Jake e ele mostrava o mesmo pavor que o meu. Os olhos de Jake se arregalam ainda mais e eu volto meu olhar para Tom. Ele agora apontava sua arma beretta 9 mm em minha direção.
- O que você está fazendo Tom? – eu grito. Ele hesita, mas me responde:
- Samantha era tudo para mim, e agora ela está morta. Ela não sobreviveu, e por isso ninguém mais irá. – ele diz a beira das lágrimas. Eu sinto que ele puxará o gatilho, não importando se éramos amigos. Procuro por Joseph, mas ele ainda está do outro lado da cerca acabando com alguns zumbis.
            Momentos antes de ele puxar o gatilho, Jake se jogou em minha frente. Tudo aconteceu rápido demais e eu demorei até perceber o que havia acontecido. Jake havia sim se jogado em minha frente, mas de algum modo eu senti um forte empurrão que me fez cair. Tom estava branco que nem papel, mas mesmo assim o seu objetivo não estava acabado. Enquanto estava no chão com as mãos em meu estômago, podia ver o sangue nas mãos de Jake que agora olhava para mim atordoado. Apesar de seu esforço a bala entrou e saiu de seu corpo e foi parar dentro de mim. Ele caiu de joelhos ao meu lado e encaramos o fato que poderia ser o fim.
            Ouvimos passos apressados em nossa direção e Joseph se aproxima com sua arma shotgun apontada para a cabeça de Tom. Enquanto isso os zumbis estão pulando a cerca para nos alcançar. Ouvimos dois tiros e algo caindo no chão. Joseph ainda estava inteiro, mas havia algo ao lado de seu olho direito. A bala havia passado de raspão, ele suspirou e foi correndo até nós.
            Os zumbis estavam quase nos alcançando, Joseph literalmente nos arrastou do porto para o navio adormecido que salvaria nossas vidas. Eu respirava com dificuldade, mas o estado de Jake era ainda pior que o meu. Não sabia se sobreviveria.

10 minutos depois...

            Estávamos saindo daquele porto infestado por zumbis, a procura de uma outra cidade subterrânea.

2 horas atrás.

Destruição: O mundo mudou. O mundo está vivo e está à procura de sangue. Meu sangue. Sou jovem demais para morrer e para virar um deles. Tenho 16 anos e estou sendo caçada pela minha própria família. Minha mãe Molly, meu pai Walter, meu irmão Danny, caçula de apenas 7 anos. Eu tentei ajudá-los, até matei meu próprio tio, arrancando-lhe a cabeça de um corpo que não mais lhe pertencia. Sou jovem mas não sou mais criança, tenho que matar para sobreviver. Eu e meus irmãos marcados, também somos chamados por Resistência Humana. Não há muitos de nós, mas nos consideramos muito. O mundo que antes existia estava morto e ninguém mais os traria de volta. Nem mesmo nós, 12 sobreviventes.
- Vamos Anna, esse é um bom plano! – diz Joseph, o mais velho de nós. O nosso grupo todo estava reunido em algum tipo de lanchonete. Luzes apagadas para não atraírem os zumbis lá fora que se rastejavam como lesmas; gemendo, murmurando coisas sem sentido.
            Tivemos que evacuar a nossa cidade subterrânea depois que os zumbis a encontraram. Culpa do Archie, mas isso não importa. O que está feito está feito. Naquele momento estávamos em retirada, escondidos por enquanto para decidir o que faríamos. Era a quarta vez que tínhamos que trocar de cidade, e construí-la não era nada fácil. Nasci neste mundo brutal, violado e sem regras. Gostaria de ter conhecido um mundo onde pessoas sorriam e se divertiam em plena luz do sol.
            Essa infestação de zumbis aconteceu a mais de 30 anos. Estamos no ano 2015 e os zumbis se tornaram mais espertos através dos anos. Essa droga toda aconteceu quando uma bomba nuclear foi lançada em Rio Pales, uma das cidades mais famosas do mundo. Ninguém sabia que as pessoas atingidas por aquela explosão se tornariam mortos-vivos. Aquela bomba foi um ótimo coquetel de diversas viroses e confraziteonio, algo que continha muito mais radiação do que o normal e outras porcarias nada agradáveis. E BUMM. Coquetel + bomba = Zumbis burros e lentos. Quem sabe de tudo isso é o Joseph, o único sobrevivente daquela época. Ele praticamente me adotou quando me encontrou sozinha vagando pela cidade aos 12 anos, lutando para sobreviver.
- É Joseph, mas como vamos chegar até lá? Essas porra de zumbis estão mais espertos e estão por toda parte. – eu respondo no círculo de conversa entre os sobreviventes. Jake, meu ex-namorado, Joseph, meu pai adotivo, Drake, um cara bacana, Oliver, esse é um pé no saco, Max, uma garota que chamaria de irmã, Tom, adora criar problemas, Samantha, esposa de Tom, uma pessoa muito amável, Charlie, um caladão que somente vai na onda dos outros, Harrison, um ótimo matador, Mason, um frangote e Archie, o filha da puta que levou os zumbis até a nossa cidade.
O nosso plano praticamente é correr até o porto e embarcar em nosso conhecido navio. Não encontraremos zumbis em alto mar não é? Então ficaremos nele por algum tempo até encontrarmos outro lugar que podemos instalar a nossa pequena cidade. Mas os zumbis estão mais espertos, eles podem parecer inofensivos lá apenas rastejando sem rumo... até sentirem cheiro de sangue. Quando eles sentem o cheiro, os enlouquecem geral. Correm, se esperneiam, se jogam, fazem de tudo para que aquele cheiro de sangue pare em suas bocas nojentas.
- Todos nós concordamos? – pergunta Joseph para o nosso pequeno grupo e todos assentem com a cabeça.
- Se algo der errado pode ter certeza que eu mesmo mato todos vocês. – disse Tom dando gargalhadas.
- Porque você fala assim? Realmente não é legal cara. – murmura Jake.
Então com a decisão tomada, eu me agachei e fui devagarzinho até a porta da frente. Acendi meu isqueiro, botei fogo no pano preto que se encontrava dentro de uma garrafa de álcool e saí porta afora. Fui caminhando até o meio da rua com passos apressados e joguei minha garrafa para muito longe. Ela se espatifou em cima de um carro, que explodiu, soltando peças por toda parte. Eu dei meia volta e chamei meus companheiros. Tinha que fazer algum barulho forte o suficiente para fazer os zumbis não nos ouvirem correr. Todos nós, os sobreviventes, estamos armados, corremos para o lugar onde o porto se encontrava.
Quando olhei para trás, para o fogo, todos os zumbis que se encontravam por ali estavam em volta do carro em chamas. Mas isso não durou muito tempo, apenas um olhou em meus olhos e o caos começou. Alcançaram-nos, nosso grupo já pequeno se reduziu a quatro pessoas. Quando ultrapassei aquela cerca pensei em nossa salvação. Como eu estava errada.

4 Comentários ♥:

Naniedias on 29 de dezembro de 2010 02:26 disse...

Eu já tinha lido o conto e gostado bastante =)
Mas muito legal que ele, agora, esteja disponível para outras pessoas lerem também =)

Beijos

Elania on 29 de dezembro de 2010 10:15 disse...

Gostei muito do seu conto.

Karlinha on 29 de dezembro de 2010 10:38 disse...

Mandy ótimo conto. Parabéns.

Charllote Perrault on 7 de janeiro de 2011 17:07 disse...

Sério, ainda precisa de muito para ser qualquer coisa, viu. Falo isso pra você não continuar queimando seu filme. Os críticos são muito, mais muito mais exigentes que eu, e eu achei fraco, sem nenhum momento de tensão, quanto mais desfecho decente. Só to dando um toque.

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